Como melhorar a argumentação na redação de concurso: técnicas e exemplos
Aprenda como melhorar a argumentação na redação de concurso, aprofundar ideias, construir relações de causa e consequência e evitar argumentos superficiais.

Argumentar não é simplesmente apresentar uma opinião. É mostrar ao leitor por que aquela ideia faz sentido.
Esse é um dos pontos que mais diferencia uma redação superficial de um texto realmente desenvolvido.
Muitos candidatos conseguem identificar bons argumentos durante o planejamento, mas perdem força na hora de colocá-los no papel.
O texto fica mais ou menos assim:
A educação é importante para a sociedade. Por isso, o governo precisa investir mais.
Existe uma ideia.
Existe uma conclusão.
Mas quase todo o raciocínio entre uma coisa e outra ficou faltando.
Por que a educação é importante naquele problema específico?
Como determinado investimento produziria algum efeito?
Quem é afetado?
Qual consequência existe?
Quando essas relações aparecem claramente, a argumentação começa a ganhar profundidade.
Neste guia, você aprenderá como transformar afirmações genéricas em argumentos desenvolvidos, encontrar ideias quando trava, utilizar exemplos e repertório com função e identificar quando seu próprio raciocínio ainda está superficial.
Uma boa argumentação apresenta uma ideia, explica por que ela faz sentido, mostra como a relação acontece e conecta suas consequências ou fundamentos à tese da redação.
Se sua dificuldade ainda está em estruturar os parágrafos, consulte também nosso guia sobre como fazer o desenvolvimento da redação para concurso.
Um dos problemas de revisar o próprio texto é que você sabe o que queria dizer. Por isso, pode completar mentalmente relações que não ficaram realmente escritas.
Uma segunda análise durante o treino pode ajudar a identificar esse tipo de lacuna. No Editaly, você pode analisar a redação considerando a estrutura do texto, a argumentação e os critérios relacionados ao treinamento utilizado.
O que é argumentação na redação?
Argumentação é o processo de sustentar uma ideia por meio de explicações, relações, fundamentos, consequências, exemplos ou evidências pertinentes.
Isso significa que argumento não é sinônimo de opinião.
Compare.
Opinião
A tecnologia é importante.
A frase apresenta um posicionamento.
Mas ainda não explica muito.
Argumento
A digitalização pode ampliar o acesso a determinados serviços ao reduzir a necessidade de deslocamento e permitir que procedimentos sejam realizados remotamente.
Agora temos uma relação.
Digitalização
↓
atendimento remoto
↓
menos deslocamento
↓
possibilidade de ampliar acesso
O leitor consegue acompanhar o raciocínio.
Argumentar é construir uma ponte
Pense assim:
Você possui uma ideia no ponto A.
Quer levar o leitor até uma conclusão no ponto B.
A argumentação é a ponte entre os dois.
Se você escreve:
O problema é grave. Portanto, o governo precisa agir.
você pulou diretamente do início para o final.
Uma argumentação melhor explica:
por que o problema é grave;
como ele se manifesta;
quem é afetado;
por que determinada ação seria pertinente;
como isso se relaciona com a tese.
Qual a diferença entre afirmar e argumentar?
Essa diferença parece pequena, mas muda completamente a qualidade do desenvolvimento.
Considere:
A corrupção prejudica a administração pública.
Isso é uma afirmação.
Ela pode estar correta, mas ainda é genérica.
Pergunte:
Como a corrupção produz esse prejuízo?
Agora:
A corrupção pode comprometer a eficiência administrativa ao direcionar recursos e decisões para interesses particulares, reduzindo a capacidade de políticas públicas atenderem às prioridades coletivas.
Temos:
Ideia
Corrupção prejudica a administração.
Mecanismo
Recursos e decisões são desviados de prioridades coletivas.
Consequência
Políticas públicas podem perder eficiência.
O argumento avançou.
Faça o teste do “e daí?”
Pegue uma frase do seu desenvolvimento.
Exemplo:
A desigualdade social prejudica a educação.
Pergunte:
E daí? Como?
Se o texto não responde, ainda falta desenvolvimento.

A estrutura de um argumento forte
Você não precisa decorar uma fórmula rígida.
Mas pode usar uma sequência de perguntas para testar se o raciocínio está realmente completo.
1. Afirmação
O que você está defendendo?
A desigualdade de acesso à internet pode limitar os benefícios dos serviços públicos digitais.
2. Por quê?
Qual é a razão?
Porque a utilização dessas plataformas depende de conexão e equipamentos adequados.
3. Como isso acontece?
Qual é o mecanismo?
Cidadãos sem essas condições podem não conseguir preencher formulários, enviar documentos ou acompanhar solicitações.
4. Qual consequência ou exemplo aparece?
Um procedimento criado para facilitar o atendimento pode se transformar em nova barreira para parte da população.
5. Como isso se conecta à tese?
Dessa forma, a digitalização amplia possibilidades, mas não garante acesso universal quando desigualdades de infraestrutura permanecem.
Temos a sequência:
AFIRMAÇÃO → POR QUÊ → COMO → CONSEQUÊNCIA → CONEXÃO
Não é obrigatório escrever cinco frases.
Às vezes, uma única frase cumpre duas dessas funções.
O importante é que o leitor consiga reconstruir a relação sem precisar adivinhar o que você pretendia dizer.

Veja como uma ideia ganha profundidade
Vamos construir um argumento aos poucos.
Versão 1 — superficial
A falta de educação financeira prejudica a população.
Temos apenas uma ideia.
Versão 2 — com explicação
A falta de educação financeira pode prejudicar a população porque dificulta a compreensão de juros, crédito e planejamento.
Agora sabemos por quê.
Versão 3 — com mecanismo
A falta de educação financeira pode prejudicar a população porque dificulta a compreensão de juros, crédito e planejamento. Sem essas informações, decisões aparentemente simples, como parcelamentos ou contratação de empréstimos, podem comprometer uma parcela maior da renda.
Agora enxergamos como o problema acontece.
Versão 4 — com consequência
A falta de educação financeira pode prejudicar a população porque dificulta a compreensão de juros, crédito e planejamento. Sem essas informações, decisões aparentemente simples, como parcelamentos ou contratação de empréstimos, podem comprometer uma parcela maior da renda. Como consequência, famílias podem reduzir sua capacidade de lidar com despesas futuras e tornar-se mais vulneráveis a períodos de instabilidade financeira.
Agora o argumento está muito mais completo.
E se quisermos conectar à tese?
Imagine que a tese discuta:
importância da educação financeira para redução da vulnerabilidade econômica.
Podemos fechar:
Nesse sentido, ampliar o conhecimento sobre decisões financeiras pode contribuir para reduzir comportamentos que intensificam situações de vulnerabilidade.
Agora o parágrafo voltou à tese.
Perceba:
não foi necessário escrever difícil.
Foi necessário mostrar relações.

Compare isso com seus próprios parágrafos
Pegue um desenvolvimento seu e marque:
Afirmação
Onde está?
Explicação
Onde está?
Mecanismo
Onde está?
Consequência
Onde está?
Conexão com a tese
Onde está?
Se você encontra apenas a primeira parte e logo passa para outra ideia, esse pode ser um padrão recorrente da sua escrita.
Durante os treinos, você pode analisar sua redação no Editaly e verificar onde a argumentação ainda precisa de mais desenvolvimento.
Como encontrar argumentos quando você trava
Uma folha em branco costuma gerar uma pergunta ruim:
“Qual argumento eu invento?”
Troque por perguntas menores.
Pergunte pela causa
Por que esse problema acontece?
Tema:
evasão escolar.
Possíveis causas:
necessidade de trabalhar;
dificuldade de transporte;
desmotivação;
defasagem de aprendizagem.
Não significa que todas sejam adequadas ao comando.
Mas você começa a gerar possibilidades.
Pergunte pela consequência
O que esse problema provoca?
Evasão escolar:
interrupção da formação;
menor qualificação;
dificuldade de inserção profissional.
Pergunte pelo obstáculo
O que impede que o problema seja resolvido?
Pode surgir:
falta de infraestrutura;
ausência de coordenação;
dificuldade de acesso;
baixa informação.
Pergunte quem é afetado
Quem sofre os efeitos?
Esse questionamento ajuda a tornar a argumentação menos abstrata.
Pergunte pela contradição
Existe uma diferença entre aquilo que deveria acontecer e aquilo que acontece?
Exemplo:
Serviço público está disponível digitalmente.
Mas parte da população não consegue utilizá-lo.
Temos uma contradição:
disponibilidade ≠ acesso efetivo.
Isso já pode gerar um argumento.
Pergunte pela comparação
O que muda entre dois cenários?
Com internet:
procedimento remoto.
Sem internet:
necessidade de deslocamento ou dificuldade de acesso.
Você não precisa de repertório para começar a pensar
Esse é um ponto importante.
Muita gente trava porque procura imediatamente:
“Qual filósofo serve para esse tema?”
Comece pelas relações.
Depois veja se algum repertório realmente fortalece aquilo que você já está construindo.


Use causa e consequência para aprofundar argumentos
Uma das maneiras mais simples de fazer o raciocínio avançar é procurar relações de causa e consequência.
Considere:
evasão escolar.
Causa
Um estudante pode abandonar a escola porque precisa conciliar estudo e trabalho.
Consequência direta
A interrupção da formação reduz o tempo de permanência no sistema educacional.
Consequência posterior
Isso pode limitar oportunidades de qualificação.
Temos uma cadeia:
necessidade de trabalhar → evasão → menor formação → menos possibilidades de qualificação
Não significa que você precise escrever uma cadeia enorme em todo argumento.
Mas enxergar essas relações ajuda a evitar frases isoladas.
Cuidado com causalidade automática
Nem sempre um fenômeno possui uma única causa.
Evite transformar relações complexas em certezas simplistas.
Em vez de:
A desigualdade existe porque o governo não investe.
prefira construções mais cuidadosas quando necessário:
A insuficiência de determinadas políticas pode contribuir para...
ou:
Entre os fatores que ajudam a explicar...
Esse tipo de precisão melhora a argumentação.
Faça perguntas ao próprio parágrafo
Quando terminar um argumento, teste:
Por quê?
Expliquei a razão?
Como?
Mostrei o mecanismo?
Para quem?
Está claro quem é afetado?
Em qual situação?
O problema foi concretizado?
Com qual consequência?
Mostrei por que isso importa?
O que demonstra isso?
Existe exemplo, fundamento ou relação concreta?
Como isso se conecta à tese?
O argumento realmente sustenta aquilo que estou defendendo?
Se nenhuma dessas perguntas é respondida, o parágrafo pode estar apenas descrevendo o tema.
Como usar exemplos sem substituir a argumentação
Um exemplo é uma ferramenta de demonstração.
Ele não deveria aparecer sozinho.
Compare.
Exemplo superficial
Muitas pessoas não possuem internet.
Isso é praticamente outra afirmação.
Exemplo com função
A necessidade de realizar cadastros, enviar documentos ou acompanhar solicitações exclusivamente por plataformas digitais mostra como a falta de conectividade pode transformar um procedimento administrativo simples em uma barreira de acesso.
Agora o exemplo está sendo usado para demonstrar a ideia.
Depois do exemplo, explique
Você pode aplicar:
exemplo → o que isso demonstra?
Se não consegue responder, talvez o exemplo ainda não esteja integrado.
Evite histórias longas inventadas
João mora em uma cidade pequena, acorda cedo, pega um ônibus...
Isso pode consumir várias linhas.
Na maioria das situações, um exemplo funcional e direto é mais eficiente.
Como usar repertório sem deixar o texto artificial
Repertório não é argumento.
Ele é um recurso que pode apoiar um argumento.
Você pode utilizar:
legislação;
conceitos;
acontecimentos históricos;
fatos;
obras;
princípios;
dados;
autores;
exemplos reais.
Mas a pergunta principal continua sendo:
Por que essa referência ajuda a sustentar minha ideia?
Repertório decorativo
Segundo determinado filósofo, a sociedade deve buscar justiça.
A frase aparece.
Depois desaparece.
O argumento seguiria praticamente igual sem ela.
Repertório integrado
Imagine que você utilize corretamente um princípio jurídico relacionado à igualdade.
Não basta citar.
Explique:
de que maneira aquele princípio entra em conflito com a barreira discutida?
Agora a referência participa do raciocínio.
Não use repertório do qual você não tem certeza
Evite inventar:
citações;
números;
pesquisas;
leis;
datas;
autores.
Uma argumentação simples e correta é melhor do que uma referência sofisticada e errada.
Uma análise do texto completo também pode ajudar a identificar quando um repertório está realmente sustentando a argumentação ou apenas ocupando espaço. No Editaly, você pode observar o papel desses elementos dentro do desenvolvimento da redação.
Tipos de argumento que podem ser úteis
Não existe um único tipo “melhor”.
A escolha depende do tema e do que você precisa demonstrar.
Causa e consequência
Mostra por que algo acontece ou o que resulta disso.
Exemplo:
A ausência de conectividade pode dificultar o uso de serviços digitais e ampliar barreiras de atendimento.
Exemplificação
Apresenta uma situação concreta que demonstra a ideia.
Comparação
Coloca dois cenários em relação.
Exemplo:
enquanto determinados cidadãos conseguem resolver procedimentos remotamente, outros ainda dependem de atendimento presencial por falta de acesso digital.
Contraste
Explora diferença ou oposição.
Embora determinado serviço esteja disponível on-line, a ausência de condições de acesso pode impedir sua utilização.
Argumento de autoridade
Utiliza uma fonte, autor, instituição ou referência pertinente.
Mas precisa ser corretamente integrado.
Dados ou fatos
Podem demonstrar dimensão ou ocorrência de determinado fenômeno.
Use apenas quando tiver segurança.
Princípio ou fundamento normativo
Especialmente útil em temas jurídicos, administrativos ou relacionados à atuação estatal.
Novamente:
citar não basta.
É preciso explicar a relação.
Como construir D1 e D2 com argumentos realmente diferentes
Um dos erros mais comuns é achar que dois parágrafos diferentes significam dois argumentos diferentes.
Veja:
D1
A falta de internet dificulta o acesso aos serviços digitais.
D2
Muitas pessoas têm dificuldades de conexão para acessar plataformas públicas.
São praticamente o mesmo ponto.
Trocar palavras não cria progressão.
Melhor
D1 — infraestrutura
falta de internet e equipamentos.
D2 — utilização
pouca familiaridade tecnológica e interfaces complexas.
Agora temos duas dimensões.
Pergunte ao D2
O que este parágrafo acrescenta que D1 ainda não mostrou?
Se a resposta for:
“mais ou menos a mesma coisa”;
revise.
Essa estrutura também é aprofundada no nosso artigo Como fazer o desenvolvimento da redação para concurso.
Argumento forte não significa argumento complicado
Esse erro é muito comum.
O candidato percebe que precisa argumentar melhor e tenta escrever períodos enormes.
Complicado, mas vazio
Diante das inúmeras circunstâncias provenientes da conjuntura contemporânea, torna-se imprescindível destacar que diversos fatores de enorme relevância configuram problemáticas significativas capazes de gerar consequências para a coletividade.
Parece sofisticado.
Mas praticamente não diz nada.
Simples e sólido
A falta de conectividade pode impedir que cidadãos utilizem serviços públicos digitalizados, pois o acesso às plataformas depende de internet e de equipamentos adequados.
Muito mais claro.
Temos:
problema;
mecanismo;
consequência implícita.
Clareza é parte da força argumentativa
O leitor precisa entender:
o que você está defendendo;
e como chegou até aquela conclusão.
Vocabulário difícil não substitui lógica.
Como argumentar quando você não domina muito o tema
Esse é um momento perigoso.
Quando falta repertório, o candidato pode começar a inventar informações ou fugir para um assunto conhecido.
Evite os dois.
1. Volte ao comando
O enunciado já oferece:
assunto;
recorte;
relações;
tarefas.
Use isso.
2. Trabalhe com relações seguras
Você talvez não conheça estatísticas sobre exclusão digital.
Mas consegue raciocinar:
plataformas dependem de acesso à internet;
quem não possui acesso pode enfrentar dificuldades.
Isso já é uma relação lógica.
3. Não force repertório
Se não possui uma citação segura, não use.
4. Explore causa e consequência
Mesmo sem conhecimento enciclopédico, pode conseguir estruturar um raciocínio.
5. Não abandone o recorte
É melhor produzir um argumento simples e pertinente do que um argumento sofisticado sobre outro tema.
Nosso guia sobre como interpretar o comando da redação de concurso e não fugir do tema aprofunda justamente essa etapa.
Como treinar argumentação sem escrever uma redação inteira
Você pode treinar argumentação como uma habilidade isolada.
Isso é especialmente útil quando já sabe que seus desenvolvimentos costumam ficar rasos.
Exercício 1 — uma afirmação, três perguntas
Pegue:
A mobilidade urbana influencia a qualidade de vida.
Responda:
Por quê?
Como?
Com qual consequência?
Transforme as respostas em um parágrafo.
Exercício 2 — problema → causa → consequência
Tema:
evasão escolar.
Faça:
PROBLEMA
Evasão escolar
↓
CAUSA
Necessidade de trabalhar
↓
CONSEQUÊNCIA
Interrupção da formação
↓
EFEITO POSTERIOR
Menor qualificaçãoDepois escreva.
Exercício 3 — transforme frases genéricas
Pegue:
A saúde é importante.
Transforme.
Depois:
A educação precisa melhorar.
Transforme.
Depois:
A segurança pública é um desafio.
Transforme.
O objetivo é parar de aceitar afirmações como argumento final.
Exercício 4 — reescreva apenas D1
Se uma correção mostrar que D1 está superficial, não precisa começar outra redação imediatamente.
Pegue aquele parágrafo.
Aprofunde.
Compare as versões.
Exercício 5 — crie dois argumentos diferentes
Escolha um tema.
Faça:
Argumento 1
causa.
Argumento 2
consequência.
Ou:
Argumento 1
infraestrutura.
Argumento 2
comportamento.
O objetivo é treinar progressão.
Esse tipo de exercício combina com o método apresentado em Como estudar redação para concursos: passo a passo para começar do zero.
8 erros que deixam a argumentação superficial
1. Afirmar e não explicar
O problema é grave.
Mas por quê?
2. Repetir a tese
O desenvolvimento reescreve a introdução sem avançar.
3. Usar exemplo sem análise
O exemplo aparece, mas o texto não mostra o que ele demonstra.
4. Usar repertório decorado
A referência parece inserida apenas para impressionar.
5. Repetir D1 no D2
Duas formulações do mesmo argumento.
6. Inserir informação sem relação
O dado pode até estar correto, mas não ajuda a sustentar a tese.
7. Escrever períodos longos para parecer sofisticado
O raciocínio fica mais difícil de acompanhar.
8. Terminar sem conectar à tese
O parágrafo apresenta informações, mas não deixa claro por que elas importam.
Esses problemas também aparecem no nosso guia 12 erros que mais tiram pontos na redação de concurso.
Checklist da argumentação
Antes de encerrar seu desenvolvimento, revise.
Ideia central
Cada argumento possui uma ideia claramente identificável?
Consigo resumir cada parágrafo em poucas palavras?
Explicação
Expliquei por que minha afirmação faz sentido?
Mostrei como o problema acontece?
Profundidade
Existe causa, consequência, mecanismo ou fundamento?
Meu raciocínio realmente avançou?
Exemplos
O exemplo demonstra alguma coisa?
Expliquei a relação entre o exemplo e o argumento?
Repertório
Está correto?
Está relacionado ao raciocínio?
Ele fortalece a ideia ou apenas ocupa linhas?
Progressão
D1 e D2 trabalham dimensões diferentes?
O segundo argumento acrescenta algo?
Adequação
Permaneci dentro do recorte?
Cada argumento ajuda a responder ao comando?
Tese
Os argumentos realmente sustentam aquilo que apresentei na introdução?
Se o leitor precisa adivinhar uma relação importante, ainda pode faltar argumentação.

Faça essa análise primeiro sozinho.
Depois, caso queira uma segunda leitura, você pode enviar sua redação ao Editaly e comparar sua percepção com uma análise mais ampla de tese, desenvolvimento, argumentação, coerência e demais critérios do treino.

Perguntas frequentes sobre argumentação na redação de concurso
O que é argumentação em uma redação?
É o processo de sustentar uma ideia por meio de explicações, relações, fundamentos, consequências, exemplos ou evidências relevantes.
Como começar um argumento?
Comece definindo claramente o que pretende defender.
Depois pergunte:
por que essa ideia faz sentido?
e:
como ela acontece?
Como encontrar argumentos?
Faça perguntas ao tema:
por que isso acontece?
o que isso provoca?
quem é afetado?
qual obstáculo existe?
existe contradição?
que comparação pode ser feita?
O que fazer quando não tenho repertório?
Comece pelas relações lógicas do próprio tema.
Você não precisa de uma citação para construir um argumento.
Causa, consequência, contraste e explicação podem gerar um bom desenvolvimento.
Preciso citar autores?
Não como regra geral.
Use autor quando a referência for correta, pertinente e realmente fortalecer o raciocínio.
Preciso usar dados?
Não obrigatoriamente.
Dados podem ser úteis, mas não invente informações.
Quantos argumentos devo usar?
Não existe número universal.
A quantidade depende do comando, do gênero e do espaço disponível.
Em uma estrutura com D1 e D2, dois eixos bem desenvolvidos podem ser suficientes, mas isso não é regra para qualquer prova.
Como aprofundar um argumento?
Pergunte:
Por quê?
Como?
Para quem?
Com qual consequência?
O que demonstra essa ideia?
Como isso sustenta minha tese?
Como saber se meu argumento está superficial?
Se o parágrafo apresenta apenas uma afirmação e passa rapidamente para outra ideia, provavelmente existe espaço para aprofundamento.
Exemplo conta como argumento?
O exemplo pode fazer parte da argumentação, mas não substitui a explicação.
É preciso mostrar o que ele demonstra.
Como evitar repetir ideias?
Dê um nome curto para D1 e D2 antes de escrever.
Se os dois nomes significam praticamente a mesma coisa, procure um segundo eixo.
Como treinar argumentação?
Treine parágrafos separadamente.
Pegue uma afirmação e desenvolva:
causa → mecanismo → consequência → conexão.
Depois compare versões.
Argumentar melhor é explicar melhor
Uma boa argumentação não depende de usar palavras difíceis.
Também não depende de colocar uma citação em todos os parágrafos.
E não nasce simplesmente do tamanho do desenvolvimento.
Ela nasce da capacidade de mostrar relações.
Comece com uma afirmação.
Depois pergunte:
Por quê?
Em seguida:
Como?
Depois:
Com qual consequência?
E finalmente:
Como isso sustenta minha tese?
Essas perguntas obrigam o raciocínio a avançar.
Também ajudam a identificar quando você está apenas repetindo a introdução ou apresentando frases genéricas.
Durante o planejamento, escolha argumentos diferentes.
Durante a escrita, desenvolva as relações.
Durante a revisão, procure lacunas.
E depois da correção, transforme os problemas identificados em exercícios específicos.
Em vez de pensar apenas:
“Preciso melhorar minha redação”;
tente chegar a algo mais preciso:
“Preciso explicar melhor as consequências dos meus argumentos.”
ou:
“D1 e D2 estão repetindo a mesma dimensão.”
Agora você possui um objetivo treinável.
Se já tem uma redação pronta e quer observar como seus argumentos funcionam dentro do texto completo, pode enviá-la ao Editaly, escolher a banca ou adicionar o edital do concurso e receber uma análise com nota estimada, critérios avaliados, erros identificados e prioridades para o próximo treino.



